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A vez dos Ultra-Portáteis
Parece mesmo de brinquedo. Tanto que a administradora Ana Luísa Böes, 29 anos, já se acostumou com esse tipo de comentário sobre o seu laptop de teclas estreitas e tela de sete polegadas. Importa que é "bonitinho" e custou "baratinho", diminutivos usados por ela mesma, que, sim, está bem satisfeita com seu Eee PC, o subnotebook da Asus que virou febre - inclusive no Estado - e tem feito fabricantes e consumidores despertarem para esse tipo de máquina ultraportátil.
Como o computador pesa só 920 gramas, Ana Luísa carrega o micro até na bolsa. É a busca por mobilidade, aliada ao baixo custo (o Eee PC pode ser adquirido por cerca de R$ 1 mil), que fez a máquina cair no gosto dos usuários. Em menos de seis meses de lançamento, em 2007, foram vendidas 350 mil unidades, aguçando o interesse dos concorrentes - só para este ano estão previstos mais de 10 novos modelos de minilaptops, incluindo modelos de marcas como HP e Acer.
O que classifica um computador como ultraportátil é o peso (até 1,8 quilo), explica o professor do curso de Engenharia da Computação da Unisinos Luiz Gonzaga da Silveira Júnior. Outro carro-chefe do segmento é o MacBook Air, da Apple, que até não tem a tela pequena (13,3 polegadas), mas pesa 1,36 quilo e é tão fino que cabe em um envelope.
Além da miniaturização dos componentes eletrônicos, que permitiu o desenvolvimento desses micros, também são retirados alguns itens em nome da leveza. Tanto o Eee PC quanto o MacBook Air não têm leitores ópticos (como unidade de DVD) e substituíram o disco rígido magnético por memória flash, que consome menos energia. Em parte, isso não é problema pela tendência crescente de as pessoas manterem seus dados na rede e usarem serviços online.

Prático, mas com restrições
Os portáteis com telas menores viraram o xodó dos adeptos da mobilidade é porque são pequenos e leves o bastante para serem carregados para qualquer parte. Esses micros trazem também facilidades como o acesso à internet wireless, sem o desconforto de um teclado apertado como os de palm tops e celulares com esses recursos.
Entre os usuários de computadores de mesa, porém, o movimento é inverso. As telas grandes - a partir de 17 polegadas e widescreen (no formato mais horizontal, como no cinema) - já despontam como as preferidas. Inclusive um estudo recente da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, relaciona a produtividade ao tamanho do monitor. A pesquisa apontou um ganho de 52% em velocidade ao se executar determinada tarefa relacionada a softwares de planilha e editor de texto numa tela de 24 polegadas em comparação a uma de 18.
Para gamers, o monitor também faz diferença, mas não só. O usuário deve priorizar um equipamento mais robusto, com alto desempenho gráfico e de processamento. É um território onde os subnotebooks não têm vez. Por mais que tragam ganho de mobilidade, a opção por um ultraportátil deve estar relacionada ao uso que a pessoa fará do equipamento.
A tendência é de os aparelhos serem adquiridos como uma segunda máquina por quem já tem um computador de mesa em casa. É o caso do técnico de suporte Éder Silva, 31 anos, que chegou a vender seu laptop com tela de 15 polegadas e usou o dinheiro para comprar um modelo de sete.
- Agora, posso carregar o computador em uma pastinha - conta.
A autonomia de bateria (três horas e meia) o surpreendeu. O técnico ainda substituiu o Xandros, versão do Linux que veio em seu Eee PC, pelo XP. Instalou via pen drive. Éder, porém, diz não ter sentido perda de performance com a máquina de configuração mais simples. A ausência de unidade óptica não é problema para ele. Afinal, tem em casa um desktop com hardware mais avançado, que usa em casos nos quais o ultraportátil não é a melhor alternativa.
Fonte: Zerohora.com Mais Notícias |
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